Apresentação

UM COLETIVO COM PERFIL SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIO

Nos organizamos  neste Coletivo pela vontade de lutar, contestar e por querer mudar o mundo. Não foi por afinidades pessoais, mas pela nossa indignação e necessidade de fortalecer os nossos posicionamentos políticos e ideológicos contra as injustiças e também por uma necessidade de atuação prática.

Nesse momento, estamos construindo uma alternativa de atuação prática e também as nossas propostas. Apresentamos aqui o nosso acúmulo, que é parte da construção do nosso perfil. Ainda não está pronto, pois sempre teremos desafios em que precisaremos nos posicionar. Também faltam alguns temas a serem construídos.

Também representa o nosso convite a quem está com disposição de lutar. Caso concorde com os pontos do nosso perfil (ou mesmo queira discuti-lo melhor) construa conosco essa alternativa, fortaleça a luta da juventude, organize seus espaços, lute por direitos e pela transformação da sociedade por um mundo justo e igualitário.

QUEM SOMOS:

Somos um Coletivo de jovens estudantes e jovens trabalhadores/as que dedicamos parte de nossa vida para lutar contra as injustiças, a exploração do mundo capitalista e também para construir uma sociedade sem privilégios.

Buscamos compreender o mundo para transformá-lo, pois não aceitamos uma sociedade dividida em classes sociais, em que a exploração e o lucro sejam mais importantes que o ser humano e que os nossos sonhos, desejos e alegrias estejam condicionados às necessidades do mercado de consumo, isto é, sejam transformados em mercadorias.

Nos reunimos regularmente para debater e ter posições sobre a situação política, para fazer formação política e também para organizar atividades bem como nossa participação em lutas, manifestações, panfletagens, reuniões nos locais de trabalho, estudo etc.

Apresentamos abaixo as principais referências para a organização do nosso Coletivo.

LUTAMOS CONTRA O CAPITALISMO:

Somos anticapitalistas. O capitalismo é um sistema socioeconômico que vive da exploração do trabalho de milhões para favorecer um punhado de pessoas.  Esse punhado, a burguesia, para manter seu poder sobre milhões, possui diversas formas de controlar o pensamento e as ações das pessoas. A mídia (jornal, revista, televisão, rádio etc.) também serve para isso. E a religião também. Ainda têm a polícia e o exército, que reprimem quem luta.

Além disso, existe a forma de produzir que é desordenada e acelerada. Além de sugar nossa energia e obrigar o ser humano a condicionar seu modo de vida a esse sistema, dilacera nosso planeta e os recursos naturais. Para poder lucrar, as necessidades humanas são deixadas de lado em prol daquilo que produz mais dinheiro. Para poupar as nossas vidas e preservar o planeta precisamos mudar esse sistema e isso a burguesia não quer.

Nesse sistema de exploração, trabalhamos muito e ganhamos pouco. Os empregos para a juventude, na maioria dos casos, são precários, isto é, sem direitos e com salários rebaixados. Muitas vezes ficamos até mesmo sem acesso ao lazer, à cultura, ao prazer e a maioria não consegue estudo gratuito e de qualidade.

Por tudo isso, lutamos contra o capitalismo, pois está em risco o futuro da humanidade exatamente para manter os privilégios de uma minoria.

A NECESSIDADE DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA:

Necessitamos de uma revolução socialista para construir uma sociedade justa, em que a classe trabalhadora em luta derrubará a burguesia do poder e construirá uma sociedade movida pelas necessidades humanas e não pelas necessidades do lucro. Não acreditamos que vamos conseguir as transformações necessárias com o governo burguês, a Câmara e o Senado que somente votam leis que favorecem a burguesia. As nossas lutas têm enfrentado essa dificuldade e esse tipo de poder, e, por causa disso, já sabemos que as eleições não garantem sequer os nossos direitos básicos.

Entendemos que uma transformação profunda na sociedade só poderá acontecer com a revolução, com a explosão dos trabalhadores e juventude contra esse sistema de exploração e não com uma transformação “lenta e gradual” ou “por dentro dessas instituições”.

LUTAMOS PELO SOCIALISMO:

O nosso objetivo é uma sociedade socialista. Entendemos que somente quando a classe trabalhadora puder decidir sobre tudo na sociedade (o que produzir, como, quanto, distribuir) poderemos ter a certeza de que a coletividade vai colocar as necessidades humanas acima de tudo.

Nesta nova forma de produzir a natureza não será destruída, pelo contrário, no socialismo para a produção dos bens necessários à vida não haverá destruição da natureza como é no capitalismo que, para produzir qualquer coisa, destrói tudo que vê pela frente. Lutamos por uma sociedade em que cada um de nós possa contribuir com o seu trabalho, mas também por uma sociedade em que cada um possa utilizar o seu tempo de vida como bem quiser.

Numa sociedade socialista a democracia deve ser plena, os/as trabalhadores/as devem decidir sobre a produção, o funcionamento dos hospitais, da educação, do transporte coletivo, lazer etc. Não pode haver exploração nem classe privilegiada, não pode haver fome, guerra nem desemprego. No socialismo, as pessoas são mais importantes do que coisas.

NA SOCIEDADE SOCIALISTA NÃO HÁ PRIVILÉGIOS:

Uma sociedade sem privilégios. Quando os/as trabalhadores/as passam a decidir sobre todo o funcionamento da sociedade não é necessário privilegiar ninguém e não há espaço para a corrupção. Todo potencial humano passa a ser desenvolvido para que as tarefas necessárias sejam aprovadas e executadas a partir da coletividade e para o bem da coletividade.

Os privilégios favorecem um pequeno grupo, uma burocracia, que se fortalece e se afasta da luta dos/as trabalhadores/as e que também enxerga a necessidade de criar e cultuar personalidades. Além de buscar restringir, cada vez mais, o poder de decisão da maioria.

Na sociedade socialista defender ideias e direitos é parte fundamental do desenvolvimento da sociedade sem que haja como consequência a perseguição, o constrangimento ou a repressão por causa de uma pensamento.

NOSSA REFERÊNCIA TEÓRICA:

Acreditamos que os referenciais socialistas são o que de melhor a humanidade pode desenvolver para a sua existência.

Portanto, uma das tarefas do coletivo é aprofundar e conhecer os conceitos de luta de classes (quando entendemos que de um lado está a classe trabalhadora e de outro a burguesia, estão os empresários, os proprietários), de exploração e lucro (capazes de sugar toda a nossa energia, a nossa criatividade e nossa vida) etc, buscando a construção de um referencial nos conceitos marxistas para o coletivo.

É preciso entender a realidade para contribuirmos com a transformação social desde o local onde estamos no cotidiano. É uma das razões de termos a preocupação de uma formação política e teórica permanente no coletivo, estudando e se preparando para uma intervenção bem qualificada no movimento social.

PORQUE NOS ORGANIZAMOS COLETIVAMENTE:

O capitalismo maltrata todos/as os/as jovens da classe trabalhadora. E não podemos enfrentar um problema coletivo de forma individual. Sabemos que para transformar essa sociedade vamos ter que enfrentar muitas lutas e as nossas conquistas não cairão do céu. Para isso nos juntamos, nos organizamos e estamos lutando para construir um coletivo de jovens anticapitalistas e socialistas.

Aqui as decisões são tomadas coletivamente após terem sido debatidas e votadas por todas/os. A proposta que tem o maior número de votos passa a ser a posição do Coletivo. Pensamos que assim podemos fortalecer o voto da maioria, evitar o individualismo e o seguidismo, isto é, a defesa das propostas de forma cega. Diferente do poder burguês, em que as propostas são decididas por um punhado de políticos comprometidos com a corrupção e distantes das nossas reais necessidades.

Com a nossa organização coletiva podemos juntar nossas forças e fortalecer politicamente toda a nossa atuação no cotidiano. As tarefas votadas e assumidas, além de serem compromissos individuais, são compromissos coletivos para manter a nossa atuação e o fortalecimento do Coletivo e do movimento.

PORQUE ESTAMOS AO LADO DA CLASSE TRABALHADORA:

Somos classistas porque entendemos que na sociedade capitalista há dois lados. Em um sistema de exploração não podemos estar ao lado de quem nos explora, vive das opressões e suga as nossas vidas.

Na sociedade capitalista tem os ricos exploradores e os trabalhadores explorados. Somos classistas porque nos colocamos incondicionalmente ao lado dos trabalhadores e suas lutas. Em um sistema de exploração não podemos estar ao lado de quem nos explora, vive das opressões e suga as nossas vidas.

Nos propomos a organizar a juventude (os filhos e filhas) da classe trabalhadora e desempregada como parte da luta pela independência política de nossa classe. Não nutrimos nenhum apoio ou confiança na burguesia. Diante de uma luta ou mobilização ou uma greve de trabalhadores, nos colocamos incondicionalmente ao lado da classe trabalhadora.

PORQUE SOMOS INTERNACIONALISTAS E ANTI-IMPERIALISTAS:

O capitalismo é um sistema social mundial, isto é, a exploração atinge o mundo todo, não havendo fronteiras para seu crescimento. Neste sentido, lutamos contra o capitalismo aqui, mas apoiamos também as lutas dos(as) nossos(as) irmãos(ãs) trabalhadores(as) de outros países. Cada ataque da burguesia aos trabalhadores em qualquer parte do mundo é um ataque à nossa classe e iremos rechaçá-lo como se fosse um ataque direto a nós mesmos. Por isso, lutamos pela revolução mundial, pois, acreditamos que o socialismo tem que ser mundial. A revolução socialista em um país será só um passo em direção à revolução mundial.

Também somos anti-imperialistas, porque não aceitamos intervenção e tentativa de domínio de países imperialistas (como Estados Unidos ou Alemanha) em outros países ou, ainda, que interfiram nos países “periféricos”. Assim apoiamos os povos que enfrentam a invasão dos exércitos imperialistas, como os palestinos que lutam contra a ocupação do exército israelense, entre outros.

PORQUE SOMOS ANTIGOVERNISTAS DE ESQUERDA:

Entendemos que todo governo burguês é inimigo da classe trabalhadora, pois assumiram o poder com o voto do povo e governam para os ricos. Em todo o país, tanto os governos do PT quanto os do PSDB, PMDB e outros têm destruído a educação, cortado direitos dos trabalhadores, apoiado direta ou indiretamente as mortes de jovens negros nas periferias e tantas outras atrocidades contra a classe trabalhadora.

DEFENDEMOS A LUTA DIRETA:

Defendemos a luta direta, ou seja, enfrentar os capitalistas com greves, ocupações, protestos etc. sem depender de parlamentares ou de instituições burguesas. Acreditamos que só a luta com a participação da juventude e do conjunto da classe trabalhadora e de forma organizada apresenta condições sólidas de obter conquistas. Muitos outros Coletivos nutrem a ilusão de que eleger candidatos é a forma de trazer direitos e conquistas para os(as) trabalhadores(as). Nós não pensamos assim. Por isso, buscamos construir a luta direta com a unidade dos(as) trabalhadores(as) e da juventude na rua, ombro a ombro, luta a luta, enfrentando o poder burguês.

LUTAMOS COM INDEPENDÊNCIA POLÍTICA E FINANCEIRA:

Não recebemos dinheiro de nenhum governo, parlamentar, ONG ou empresa. Buscamos manter a nossa independência política, sem ter “rabo preso” com ninguém. Nos manteremos com a contribuição financeira voluntária dos membros do Coletivo. Realizaremos campanhas financeiras para a execução de atividades, faixas nos atos, panfletos e materiais de propaganda. Também nas entidades do Movimento Estudantil – Centros Acadêmicos(CA’s) , Diretórios Acadêmicos (DA’s), Diretórios Centrais dos Estudantes (DCE’s), grêmios etc. – lutamos para que se garanta seu funcionamento e sustento com a contribuição voluntária dos(as) estudantes e trabalhadores(as) a fim de se manter a independência financeira.

LUTAMOS POR UMA EDUCAÇÃO A SERVIÇO DA CLASSE TRABALHADORA:

A universidade e a escola, nessa sociedade, são espaços de reprodução das ideias da burguesia. A sua lógica é de (re) produzir tudo aquilo que interessa ao lucro. Por isso, precisamos transformá-las. A luta pela qualidade de ensino e de aprendizagem, por mais verbas para a Educação pública, etc. é uma parte da nossa luta. Também lutamos nas escolas e universidades para que todo o conhecimento acumulado se direcione para as necessidades da classe trabalhadora e da sociedade de conjunto.

LUTAMOS CONTRA O MACHISMO, O RACISMO E A LGBTTFOBIA E OUTRAS OPRESSÕES:

Além da exploração, entendemos que na sociedade capitalista o negro, a mulher e os(as) LGBTT ainda enfrentam várias outras situações de violência física e psicológica. Para essa sociedade, o homem precisa ser superior à mulher e ao negro(a) e os(as) LGBTT precisam ser tratados como doentes. Dessa forma se divide a classe trabalhadora e joga jovem contra jovem e trabalhador(a) contra trabalhador(a).

Acreditamos que somos socialmente iguais e não diferenciamos ninguém pela cor da pele, pelo gênero ou pela orientação sexual. Não podemos esperar o fim do capitalismo para acabar com o machismo, o racismo e a LGBTfobia, essa é uma luta que deve ser travada todos os dias! Mas ao mesmo tempo não conseguimos enxergar a luta contra as opressões separada de uma luta contra o capitalismo.

ONDE ESTAMOS ATUANDO:

Queremos contribuir para que os jovens se coloquem em luta contra os vários problemas imediatos que afetam a vida da juventude, passem a entender que o mundo é injusto por causa do sistema de exploração e que adquiram uma consciência socialista para lutar pela transformação da sociedade.

Nesse momento, temos priorizado atuar no Movimento Estudantil e nas ruas, nos movimentos que defendem os interesses da juventude (como foram os movimentos contra o aumento das passagens, por exemplo), mas nosso objetivo é construir uma atuação em todos os lugares onde têm jovens dispostos a se organizar e lutar, seja nos locais de trabalho, no bairro ou no local de estudo. Estamos organizando grupos para a luta, para estudo, para construção e participação nas entidades do Movimento Estudantil (CA’s, DA’s e DCE’s, grêmios e outros espaços de organização) e outros movimentos sociais.

A NOSSA ATUAÇÃO NO MOVIMENTO ESTUDANTIL (ME):

Nesse momento, a atuação dos(as) integrantes do Coletivo tem como questões importantes: 1) contribuir para que o Movimento Estudantil se reconstrua a fim de ser uma alternativa para os estudantes e juventude em geral e 2) contribuir para o desenvolvimento de uma consciência crítica e socialista entre os e as jovens e estudantes.

O coletivo está inserido no processo de reorganização do ME, não reconhece e nega a União Nacional de Estudantes (UNE) como entidade que representa o conjunto do Movimento estudantil devido ao seu caráter governista, isto é, segue estritamente as políticas adotadas pelo Governo do PT. Também não reconhecemos a Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL), pois entendemos que essa entidade também reproduz a mesma lógica de atuação da UNE ao adotar fielmente as políticas do PSTU.

Contudo não negamos que a ANEL faz parte do processo de reorganização, tal como outros espaços de organização estudantil, como executivas, federações de cursos e outras frentes que fazem enfrentamento aos governos da burguesia.

Isso não quer dizer que sejamos contra uma organização nacional de estudantes, pelo contrário, pensamos ser fundamental.

Com isso, entendemos que ainda não estamos em um momento favorável ou adequado para impulsionar a criação de uma Entidade Nacional Estudantil, que possa realmente cumprir um papel de unificar/impulsionar as lutas dos e das estudantes. Acreditamos que a prioridade é fortalecer o trabalho de mobilização nas escolas e universidades, a fim de contribuir para que deste processo nasçam as condições para uma nova entidade.

TRABALHO DE BASE PARA CONSTRUIR A LEGITIMIDADE DAS ENTIDADES ESTUDANTIS:

Nos nossos espaços de estudo e trabalho realizamos o esforço de construir a luta como parte do trabalho de base necessário, que busca fortalecer a união entre os(as) estudantes e jovens trabalhadores(as).

Entendemos que as entidades devam estar coladas às necessidades dos estudantes contra o descaso do governo com a Educação, contra os problemas com as reitorias, as lutas específicas dos cursos e contra direções de entidades burocráticas que ficam distantes das dificuldades que os estudantes enfrentam. O nosso objetivo, então, é buscar a construção dessas formas de organização do movimento estudantil por reivindicações gerais de toda a classe trabalhadora e específicas dos(as) estudantes.

Ao mesmo tempo, lutamos por uma estrutura adequada para o aprendizado para que a universidade cumpra seu papel social de pesquisa e produção de conhecimento afim de suprir as necessidades humanas e não para contribuir com o lucro das grandes empresas. A produção de conhecimento deve ser agente transformador e atuar diretamente na mudança da realidade em prol das necessidades humanas e não do academicismo teórico. Por isso, defendemos que a Educação seja plenamente pública, gratuita e laica.

CONSTRUA ESSE COLETIVO COM A GENTE!

Acima estão os pontos de nosso perfil como referência para quem quer participar do Coletivo. Nossos e nossas integrantes são militantes do Espaço Socialista e ativistas independentes. Queremos mais jovens com a gente! Para isso é preciso:

  • Estar de acordo com o que já acumulamos até agora, que são as posições políticas decididas pelo Coletivo e que constam nesse material.
  • Ser antigovernista de esquerda, anticapitalista e socialista, disposto(a) a lutar contra a exploração capitalista.
  • Apoiar as lutas dos(as) trabalhadores(as) do Brasil e do mundo.
  • Participar, contribuir e organizar as lutas onde você está inserido.
  • Não ser machista, nem racista nem homofóbico.
  • Não ser explorador, empresário e não viver do trabalho alheio.
  • Participar ativamente das reuniões do Coletivo e encaminhar as decisões dos espaços deliberativos.
  • Construir coletivamente as atividades deliberadas.

 

Perfil político aprovado em 14 de março de 2015,
na I Plenária Nacional do Coletivo Primavera Socialista
Apresentação do Coletivo Primavera Socialista – A4 – arquivo com o texto acima